quinta-feira, 21 de junho de 2012

O que a mídia esconde: A opinião de Roy Thomas sobre o Alan Scott Gay




Eu fui ofendido e acusado de "homofobia" por ter criticado a onda gay nos quadrinhos de super-heróis. Nenhum outro site teve coragem de se opor a essa péssima jogada de marketing das duas grandes editoras americanas. Acompanhei tudo que se publicou sobre o assunto e notei que as opiniões contrárias foram censuradas, distorcidas ou omitidas. Ao que parece, os sites de quadrinhos não se importam com quadrinhos, querem apenas manter sua reputação com o senso comum e seu prestígio. A verdade não importa.

O site Bleeding Cool publicou um
 post cujo título se propunha a relatar o boicote aos produtos do Lanterna Verde no Brasil, que eu noticiei com exclusividade aqui. Mas já iniciou o texto chamando meu artigo anterior de "homofóbico". Desqualificando a fonte, a informação não tem valor. A manobra desonesta do Sr Rich Johnston foi mais uma ação no sentido de manipular a opinião dos seus leitores.

Porém, há confirmações de um boicote não anunciado, mas espontâneo, aos produtos Lanterna Verde. Lojas virtuais estão liquidando seu estoque e pelo menos uma loja física brasileira já relatou que, depois da mudança, tem dificuldades de vender esses produtos. Mesmo assim, a "mídia especializada" se recusa a noticiar, com medo de ser taxada de "homofóbica".

Uma das opiniões mais relevantes sobre o assunto foi sumariamente omitida de todos esses sites. Roy Thomas, um dos nomes mais importantes na criação da mitologia de Alan Scott, fez um pronunciamento onde expressou seu extremo desagrado com a mudança no personagem. Os grandes sites de quadrinhos, que supostamente existem pra informar, preferiram ignorar.

Roy Thomas, pra quem não sabe, escreveu e editou histórias do universo da Terra-2 nos anos 1980. Sua paixão era a Sociedade da Justiça, grupo do qual Alan Scott era membro. Ele criou uma base sólida para o personagem, deu-lhe uma esposa, Molly Maine, e os filhos, Jade e Manto Negro.




Ele foi questionado por e-mail pelo blog Hombre de Bronze sobre o que achava da transformação de Alan Scott em gay e a eliminação do casamento e dos filhos de sua cronologia. Thomas respondeu:

"Soube disso esta manhã. Não tenho nada contra gays, mas acho que a noção de fazer Alan Scott retroativamente gay (mesmo que seja em uma nova versão da Terra-2, uma ideia odiosa em si mesmo) é ridícula e ofensiva.


É também um tapa na cara de Dann [esposa de Thomas, que também escrevia histórias de Alan Scott], Jerry Ordway [desenhista], Mike Machlan [capista], e eu, que co-criamos os filhos do herói, Jade e Manto Negro ... e, claro, Dann e eu também idealizamos sua relação com Espinho [ vilã da Era de Ouro, mãe dos filhos de Alan Scott] e seu posterior casamento com Arlequim [Molly Maine]. Algo assim enfraquece o potencial valor econômico da nossa criação.

Eu acredito que esta ideia demonstra desprezo por nós e pelos leitores antigos e fieis. E eu acho que devemos devolver o favor. Mas, no final, tudo são apenas palavras e imagens no papel (ou no ciberespaço), e não é mais válido para o Lanterna Verde original criado por Mart Nodell e Bill Finger, do que era a continuidade retroativa que nós fizemos nos anos 1980."



A opinião de Roy Thomas talvez fosse a mais importante de todas nesse caso, mas foi ignorada. Mal teve um link no blog Robot6, do CBR, em uma matéria que, obviamente, elogiava a atitude da DC.

Por que isso acontece? A razão pode estar em um desejo de manipular a sua opinião, fazer você aceitar por não ter condições de discutir o assunto sem conhecer o outro lado, ou mesmo fazer você ter medo de dizer o que pensa para não receber ameaças e ofensas, como eu recebi. Seguir o senso comum é muito mais seguro. Se as pessoas que não concordam não aparecem, é porque elas não existem. Se insistirem em aparecer, como é o caso deste blog, são difamados com acusações terríveis.

A mídia de quadrinhos é como qualquer outra mídia, comprometida com interesses. Não há escrúpulos nem mesmo para ignorar Roy Thomas, um dos maiores nomes dos quadrinhos de todos os tempos. Os grandes nomes hoje só são lembrados quando morrem e duvido que essa mídia narcisista que fala sobre quadrinhos na internet, onde os jornalistas estão mais interessados em se autopromover do que informar, leve em consideração a opinião daqueles que realmente tem algo a dizer, aqueles que trabalharam durante décadas para dar aos quadrinhos o que eles tem de interessante. Esses supostos especialistas em quadrinhos estão mais interessados em angariar prestígio para si e um número enorme de seguidores nas redes sociais. Os quadrinhos? Os quadrinhos não importam.